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Robôs bibliotecários

Não, o título acima não saiu de um livro de ficção científica, embora o tema já tenha sido explorado pelo autor  estadunidense Harry Harrison no livro The Robot who wanted to know (o robô que queria saber, em tradução livre). No livro, o robô Filer 13B-445K é programado para ter curiosidade sobre todos os assuntos, e sua função é catalogar toda a informação criada pelos humanos.

O tal “bibliotecário robô” do qual falamos aqui não tem esse nível de sofisticação, mas já é um fato em uma unidade ainda em construção da British Library, a Biblioteca Nacional do Reino Unido.

A British Library está em fase de remanejamento de um acervo composto por 7 milhões de itens para um novo centro climatizado na cidade de Boston Spa, norte da Inglaterra. O novo centro irá abrigar 262 km de estantes, e os grandes responsáveis pelo armazenamento e posterior busca desse material serão gruas robotizadas, as únicas que realmente saberão onde localizar um determinado item do acervo.

De acordo com Steve Morris, diretor de finanças e serviços corporativos da biblioteca, os livros serão armazenados em contêineres e empilhados conforme um algoritmo que calcula a demanda por certos títulos. Isso permitirá que, com o tempo, o sistema possa “lembrar” quais são os livros mais pesquisados, colocando-os na frente do prédio, a fim de facilitar o acesso. Livros raramente consultados acabariam no fundo do prédio.

A construção do centro deve ser concluída em 2011, complementando a sede no bairro de St. Pacras, em Londres, onde os livros estarão disponíveis 48 horas após a solicitação para Boston Spa.

Devemos ressaltar que, no entanto, o trabalho das gruas não é necessariamente o trabalho de um bibliotecário. Enquanto máquinas são capazes de realizar atividades mecânicas como guardar e localizar um item, seu nível de desenvolvimento ainda não alcançou um patamar elevado o suficiente para determinar quais as informações relevantes no interior de um livro, e como transpor essas informações de acordo com a necessidade, as diferentes formas de linguagem e mesmo as muitas maneiras de pensar de um ser humano . O maior exemplo disso são os mecanismos de busca, que ainda patinam toda vez que precisamos de uma informação com maior nível de especificidade, principalmente quando damos o azar de precisar de algo que é interpretado como sinônimo de outra coisa, mesmo sendo um conceito diferente.

Além disso, o processo de comunicação com máquinas ainda está longe da perfeição, sobretudo quando essa comunicação não se dá apenas por botões ou pelo teclado. Quem já conversou com a secretária eletrônica de uma operadora de telefonia ou de outro serviço com certeza já se deparou com essa dificuldade.

Assim, o robô bibliotecário de Harrison continuará na ficção, ao menos por hora. No entanto, os frequentadores de bibliotecas já podem se preparar para uma presença cada vez maior de máquinas e outros equipamentos em suas consultas a um acervo. Este processo parece não ter mais volta.

Fonte: Bibliotecários da British Library são substituídos por robôs

Sobre Harry Harrison e o livro “The robot who wanted to know”: http://www.harryharrison.com/

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Um comentário em “Robôs bibliotecários

  1. Gostaria de divulgar um vídeo que mostra um robô móvel sendo controlado por um smartphone com acelerômetro. O robô chama-se Robodeck e é fabricado e comercializado por uma empresa chamada XBot (www.xbot.com.br) sediada em São Carlos (SP). O projeto teve o apoio da FINEP, FAPESP e CNPq. Tecnologia 100% nacional e acessível para os brasileiros. Importante, já tem seis pedidos de universidades brasileiras para adquir o robodeck.

    Link para o vídeo:

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