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O Dilema de Dewey: achar ou não achar um livro na estante?

Não, o título acima não se refere a nenhuma intrigante questão formulada pelo filósofo John Dewey (1859-1952). O dilema em destaque é em torno um conterrâneo desse filósofo, o bibliotecário estadunidense  Melvil Dewey, cujo aniversário de nascimento será celebrado no próximo dia 10 de dezembro (Dewey viveu entre 10/12/1851 e 26/12/1931).

Mas o que Melvil Dewey tem a ver com você, usuário ou usuária de bibliotecas? Se você já tiver procurado por números como 325.43098161 pelas estantes e etiquetas de livros numa biblioteca, você tem mais contato com esse Dewey do que jamais pensou imaginar.

A Classificação Decimal de Dewey, mas conhecida simplesmente como CDD, é a classificação mais frequentemente adotada pelas bibliotecas para ordenar livros nas estantes. A ideia básica que gira por trás dessa classificação é simples: todo o conhecimento humano é dividido em 10 categorias gerais, representadas por pelo menos três números, num esquema que varia de 000 até 999. Cada categoria, por sua vez, subdivide-se em 10 subclasses, que também podem ser divididas em mais 10 e assim por diante (daí a denominação “decimal”). Se o assunto for mais específico do que aquele representado pelos 3 números iniciais, utiliza-se um ponto (.) para sinalizar que existe ali uma subdivisão. Assim, 325.15 sempre irá remeter a um assunto específico dentro do assunto mais geral 325. Na estante, isso vai se repetir como uma ordem sequencial, sempre da esquerda para a direita, de cima para baixo.

O esquema geral da CDD é o seguinte:

  • 000 Generalidades
  • 100 Filosofia
  • 200 Religião
  • 300 Ciências Sociais
  • 400 Línguas
  • 500 Ciências puras
  • 600 Ciências Aplicadas
  • 700 Artes
  • 800 Literatura
  • 900 História e Geografia

Dessa forma, dentro dessas numerações poderíamos ter assuntos mais específicos, como 160 para Lógica e 170 para Ética, e assim sucessivamente, cada assunto representado por um número de acordo com um nível de especificidade.

Algumas outras relações lógicas foram pensadas por Dewey dentro desse esquema. Por exemplo, existe uma semelhança entre as classes 400 e 800. Assim, 430 será usado para Língua Alemã e 830 para Literatura Alemã, da mesma forma que 440 funciona para Língua Francesa e 840 para Literatura Francesa. Cada país ou região também corresponde a um número.

Repetimos o nosso dilema: achar ou não achar um livro na estante? A lógica de Dewey pode parecer complicada no início, mas se você prestar um pouco mais de atenção na forma como ela se organiza, sua tarefa de localizar um livro vai ser mais fácil. Mas você também pode se perguntar: esse tipo de organização continua válido nos dias de hoje, quando tendemos a pensar mais em rede do que em hierarquias? Para essa questão (será ela também um dilema?), ainda não há resposta.

Créditos pela foto: Koren Shadmi, que desenhou um Dewey perdido na biblioteca. A foto ilustra a capa da revista Library Journal, de outubro de 2009.

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2 comentários em “O Dilema de Dewey: achar ou não achar um livro na estante?

  1. […] O Dilema de Dewey: achar ou não achar um livro na estante? (via Blog da Biblioteca Florestan Fernandes – FFLCH USP) Por mtb49 Não, o título acima não se refere a nenhuma intrigante questão formulada pelo filósofo John Dewey (1859-1952). O dilema em destaque é em torno um conterrâneo desse filósofo, o bibliotecário estadunidense  Melvil Dewey, cujo aniversário de nascimento será celebrado no próximo dia 10 de dezembro (Dewey viveu entre 10/12/1851 e 26/12/1931). Mas o que Melvil Dewey tem a ver com você, usuário ou usuária de bibliotecas? Se você já tiver procurado por n … Read More […]

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