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Google Books: as controvérsias continuam

Em 2009, muitas discussões foram feitas em relação ao ambicioso projeto do Google para a digitalização de livros em grande escala, o Google Books. Autores, editores, livrarias e também bibliotecas e leitores do mundo inteiro perguntam-se: esse projeto realmente facilita o acesso ao livro, considerando que muitos deles já se encontram fora de catálogo? Seria o projeto uma tentativa de criar uma “biblioteca para todos” ou será mais uma tentativa de monopolizar a informação e o acesso a ela?

No dia 30 de dezembro de 2009, o programa de notícias PBS Newshour conduziu uma reportagem sobre o tema, em que alguns especialistas foram consultados para dar suas opiniões sobre o projeto. Colocamos aqui algumas delas, em tradução livre:

 MICHAEL KELLER, bibliotecário da Stanford University: “O que acontece quando você digitaliza estes livros e os torna acessíveis na Internet é que eles ganham muito mais uso. As pessoas podem encontrar as coisas, significando 10 vezes mais uso do que foi registrado formalmente”.

GARY REBACK, da Open Book Alliance: “O que o Googles está propondo aqui não é como qualquer biblioteca em que você já esteve. Não é uma biblioteca pública. É uma biblioteca privada. E está sendo administrada para o lucro, um grande lucro. O Google vai cobrar de professores universitários, usuários comuns e até escolares para liberar o acesso a livros que o Google copiou sem a permissão do publicador ou do autor”.

DANIEL CLANCY, engenheiro do Google Books: “O Google espera conseguir benefícios a partir do projeto melhorando nossa pesquisa. E nós esperamos fazer algum dinheiro com isso conforme vendemos os livros. Mas a motivação não é o dinheiro ganho com isso, porque, se você observar o que estamos investindo, é muito maior do que as vendas”.

PAM SAMUELSON, professora, University of California-Berkely: “não há realmente verificações e balanços no acordo sobre estratégias de preços. E parece que, quanto mais livros o Google digitaliza, maiores os preços podem ser. A coisa toda transformou-se numa empresa comercial. Isto basicamente transformou este projeto numa livraria mais do que numa biblioteca”.

As opiniões acima manifestam apenas algumas das muitas controvérsias geradas pelo projeto. Não são mencionadas, por exemplo, as questões do pagamento de direitos autorais (que foi um dos motivos que gerou todo o processo jurídico contra o Google Books no ano passado), pirataria (apesar de a empresa dizer que cópias ilegais não são possíveis, nenhum sistema é totalmente seguro) e como será feita a cobrança para acesso ao conteúdo completo de livros. A discussão, portanto, está longe de acabar, mas convém manter a atenção: o futuro do mercado livreiro e até mesmo o papel das bibliotecas podem estar em como essas questões serão resolvidas.

Texto escrito com base no artigo do Library Journal, disponível em: http://www.libraryjournal.com/article/CA6713503.html

Link para o programa transmitido pelo PBS Newshour: http://www.pbs.org/newshour/bb/entertainment/july-dec09/google_12-30.html

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