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O leitor que roubava livros

Parodiamos aqui um título que foi bastante popular entre leitores brasileiros algum tempo atrás (“A menina que roubava livros”, obra de Marcus Zusak) para ilustrar uma realidade: o furto de livros em livrarias e bibliotecas. De acordo com dados da Associação Nacional de Livrarias (ANL), esse fato representa aos revendedores de livros um prejuízo de 4%, o que faz as livrarias investirem em sofisticados esquemas de vigilância.

No entanto, mesmo com câmeras e vigias espalhados em todos os cantos, os furtos continuam, e é curioso notar os livros mais populares entre os “ladrões leitores” de 2009: é de se esperar que best-sellers como os de Stephenie Meyer (autora da séria vampiresca que reúne títulos como “Lua Nova” e “Crepúsculo”) ou Dan Brown (autor de “O Código Da Vinci”) façam parte da lista dos mais roubados, dada toda a promoção que existe em torno desses títulos. Quem esperaria, porém, que “Além do Bem e do Mal”, de Friedrich Nietzsche, fizesse parte do rol dos livros mais roubados do ano? Difícil dizer que o motivo seja apenas o preço (que varia entre R$15,00 e R$30,00, mais barato que “O pequeno Príncipe”, de Antoine Saint-Exupery, também um dos mais visados pelos ladrões). Na comparação com os sebos, a área de Filosofia também é uma das mais atraentes para os interessados em praticar um furto. Sinal de que existe também um perfil intelectual entre os ladrões de livros em sebos e livrarias.

No caso das bibliotecas, o problema não é menos grave. É bastante difícil encontrar uma que nunca tenha sido vítima de um furto, e a prática é mais recorrente do que se espera, já que boa parte das instituições não possui recursos ou um planejamento específico para investir em segurança de acervo. Nas instituições públicas, a aquisição de câmeras depende de processo licitatório, que nem sempre acontece com rapidez. Resultado: roubo de coleções raras e valiosas, como uma parte do acervo de fotografias da Biblioteca Nacional em 2005, ou mesmo a tentativa de roubo de periódicos históricos da área de literatura na Biblioteca da FFLCH em 2007. Grande parte dessas obras acaba sendo destinada colecionadores (também eles intelectuais?), já que dificilmente encontrariam compradores no mercado comum.

Tais atividades são bastante difíceis de serem detectadas no interior de uma biblioteca, e mais ainda de fazer um rastreamento depois que as obras já foram furtadas. Resta às bibliotecas continuar procurando formas de controlar o acesso ao acervo e destinar uma parcela de seus recursos para tentar proteger o patrimônio público. Ambas as práticas criam uma imagem institucional ruim, mas são necessárias num ambiente em que alguns desfalcam um patrimônio de todos em prol de um acervo particular.

Veja também o artigo da Folha, que serviu de base para este texto em alguns pontos: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u680092.shtml

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2 comentários em “O leitor que roubava livros

  1. Bom texto. Eu mesmo já tentei subtrair uns livrinhos, mas essa ânsia bibliocleptomaníaca passou. O que eu tenho mais raiva é de pegar livros na biblioteca e encontrá-los todos riscados. Acho que vcs deveriam colocar na entrada ou nos regulamentos: PROIBIDO RISCAR LIVROS!!!

    • Alex,

      Isso é realmente bastante chato, já que atrapalha a leitura e danifica o livro. No entanto, é um pouco difícil de identificar todos os casos, e muitas vezes os livros voltam para a estante já riscados. Vamos reforçar nossa campanha para que os usuários cuidem melhor dos livros.

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