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Bibliotecas e trote solidário

Início de semestre é sempre uma ocasião especial para quem acabou de passar pela angustiante etapa do vestibular e conseguiu ingressar numa universidade. E claro, todo início de semestre também é marcado por uma recepção a esses ingressantes, muitos deles calouros de primeira viagem no universo acadêmico. Trata-se do popular “trote”, que pode ir desde o “pedágio”, em que os alunos saem pelas ruas da cidade angariando dinheiro junto aos motoristas, até as tradicionais “festas dos bixos”, regadas a muito álcool e, em algumas ocasiões, atos de violência.

Justamente para barrar a violência nos trotes, vem se tornando cada vez mais popular a ideia de “trote solidário”. Desde ações comunitárias em favelas até o plantio de árvores, a ideia é alertar o calouro quanto a uma realidade que vai um pouco além da universidade, buscando ao mesmo tempo uma alternativa de integração e conscientização.

Na esteira desse tipo de trote, algumas bibliotecas vem tendo uma contribuição interessante. Um bom exemplo é a participação da biblioteca do Instituto de Psicologia da USP (veja matéria completa aqui). Numa participação conjunta com o centro acadêmico da unidade, a biblioteca chamou os seus “bixos” a participar da “apaga-ação”: com borracha em punho, os calouros apagam as inscrições feitas por outros usuários em livros da biblioteca. A atividade serve tanto como forma de conscientização (segundo depoimentos, os números de livros rabiscados na biblioteca diminuiu após o início dessa atividade) quanto uma forma de contribuir para tornar a tarefa da leitura acadêmica um pouco mais agradável, algo que ajuda inclusive o próprio calouro. Afinal, é difícil encontrar alguém que se sinta totalmente à vontade para ler livros rasurados; os rabiscos podem danificar o papel, cobrir palavras e letras e dificultar a realização de cópias. Além disso, anotações nas margens, tão úteis para seus respectivos autores, acabam interferindo na leitura quando esta mesma obra é consultada por outro usuário.

Mais do que  um simples trote, esse tipo de atividade mostra o quanto o usuário pode contribuir para a conservação de livros numa biblioteca. Livros que, no caso de bibliotecas como as da USP, constituem patrimônio público, e que por isso mesmo demandam maior atenção. 

Baseado em texto do UOL: “Em trote solidário, calouros da USP fazem ‘apagação’ de livros rabiscados” . A foto é de Leandro Moraes.

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